Prestes a comemorar 80 anos, o Instituto Evandro Chagas e o Centro
Nacional de Primatas vivenciam a abertura de um novo capítulo em sua história.
Por décadas, a nefasta lógica do “manda quem pode, obedece quem tem
juízo” tem imposto aos trabalhadores do IEC/CENP uma segregação autoritária
entre os que pensam e decidem nossos rumos e aqueles que obedecem e executam. Essa realidade, nós, felizmente, começamos a
deixar para trás com a greve que construímos no período de agosto a
outubro deste ano, uma greve histórica que mudou rotinas, questionou velhas
certezas e legou importantes lições para todos nós.
Durante semanas, com o apoio decisivo
de nosso sindicato, nós, os trabalhadores, tomamos em nossas mãos o controle de
nossas instituições, organizamos piquetes, discutimos e garantimos o
funcionamento das essencialidades.
Enfrentamos mandatos judiciais; o
assédio moral institucionalizado, que levou nossos delegados sindicais
mais combativos a serem citados em uma ação judicial contra a greve; a presença
da Polícia Federal lançada contra os grevistas pela direção do IEC; a
ameaça de desconto dos dias parados; e a intransigência da antiga
direção do IEC, que nem sequer recebeu os grevistas para
discutir nossa pauta especifica, e do próprio governo federal que tentava nos
impor quatro anos de congelamento salarial e a retirada de direitos.
Apesar de tudo, resistimos, porque
nossa luta é justa e aprendemos que a união é nossa maior força quando estamos
dispostos a lutar, e saímos vitoriosos. A programação do dia do servidor,
discutida e construída por nós mesmos, é prova disso. Assim como o fato de que
os nomes dos servidores citados na ação que tentava criminalizar nosso
movimento de greve, por decisão soberana de nossas assembleias, constam hoje no
acordo especifico assinado entre o governo e nossa categoria, reconhecendo-os
como nossos legítimos representantes, depois que a própria justiça obrigou a
AGU a retirar os nomes de nossos colegas do processo.
Nossa maior conquista, entretanto, foi
a compreensão de que o IEC/CENP não são apenas os seus prédios, ou nomes
impressos em placas ou documentos oficiais, nem apenas suas chefias e direções.
O IEC/CENP somos nós, os trabalhadores que
movem as engrenagens que fazem essas instituições existirem e funcionarem. E
chegou a hora de nós também opinarmos e decidirmos nossos próprios rumos.
O antigo Diretor
comunicou a todos nós que vinha sendo discutido no Conselho Técnico Científico
do IEC nosso regimento interno sem que a comunidade fosse ouvida ou tivesse
possibilidade de opinar. Este é um exemplo da postura absurda que não podemos e
não iremos mais tolerar.
O regimento interno é
a oportunidade que temos para discutir temas que interferem diretamente na vida
de todos os trabalhadores de nossas instituições. Ele poderá definir o processo
de eleição das chefias e direções e abre a possibilidade de instituirmos uma
democracia real em nossas instituições, onde os trabalhadores elegeram seus
superiores. Ele poderá instituir uma comissão de trabalhadores para apurar as
recorrentes denúncias de assedio moral que nos assolam. E poderá também, entre
outras coisas, regulamentar o processo de permutas, transferências, cessões e afastamentos
hoje regidos por critérios arbitrários segundo os ditames das chefias.
A greve nos ensinou o
poder da organização e da luta, um poder que não sabíamos possuir, mas que
agora conhecemos. E por isso nossa organização e luta precisa seguir para muito
além do momento da greve. Precisamos seguir organizando e mobilizando nossa
categoria. Neste dia do servidor, nós, trabalhadores organizados do IEC/CENP
estamos lançando nosso movimento: IECENP pra Lutar!
Um movimento amplo e
democrático aberto a todo e qualquer colega disposto a lutar em defesa dos
servidores e do serviço público contra os desmandos de governos, chefias e
direções. E convidamos a todos os interessados em lutar pela democratização das
discussões de nosso Regimento a construírem conosco essa luta, exigindo da nova
direção do IEC um debate amplo e democrático com a participação de toda a
comunidade para fazer valer nossos anseios.
QUEM LUTA CONQUISTA, QUEM
PARTICIPA DECIDE!

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