quarta-feira, 28 de outubro de 2015

28 DE OUTUBRO: VALORIZAR NOSSOS SERVIDORES É GARANTIR A DEMOCRATIZAÇÃO DO IEC/CENP!


Prestes a comemorar 80 anos, o Instituto Evandro Chagas e o Centro Nacional de Primatas vivenciam a abertura de um novo capítulo em sua história.
Por décadas, a nefasta lógica do “manda quem pode, obedece quem tem juízo” tem imposto aos trabalhadores do IEC/CENP uma segregação autoritária entre os que pensam e decidem nossos rumos e aqueles que obedecem e executam. Essa realidade, nós, felizmente, começamos a deixar para trás com a greve que construímos no período de agosto a outubro deste ano, uma greve histórica que mudou rotinas, questionou velhas certezas e legou importantes lições para todos nós.
Durante semanas, com o apoio decisivo de nosso sindicato, nós, os trabalhadores, tomamos em nossas mãos o controle de nossas instituições, organizamos piquetes, discutimos e garantimos o funcionamento das essencialidades.
Enfrentamos mandatos judiciais; o assédio moral institucionalizado, que levou nossos delegados sindicais mais combativos a serem citados em uma ação judicial contra a greve; a presença da Polícia Federal lançada contra os grevistas pela direção do IEC; a ameaça de desconto dos dias parados; e a intransigência da antiga direção do IEC, que nem sequer recebeu os grevistas para discutir nossa pauta especifica, e do próprio governo federal que tentava nos impor quatro anos de congelamento salarial e a retirada de direitos.
Apesar de tudo, resistimos, porque nossa luta é justa e aprendemos que a união é nossa maior força quando estamos dispostos a lutar, e saímos vitoriosos. A programação do dia do servidor, discutida e construída por nós mesmos, é prova disso. Assim como o fato de que os nomes dos servidores citados na ação que tentava criminalizar nosso movimento de greve, por decisão soberana de nossas assembleias, constam hoje no acordo especifico assinado entre o governo e nossa categoria, reconhecendo-os como nossos legítimos representantes, depois que a própria justiça obrigou a AGU a retirar os nomes de nossos colegas do processo.
Nossa maior conquista, entretanto, foi a compreensão de que o IEC/CENP não são apenas os seus prédios, ou nomes impressos em placas ou documentos oficiais, nem apenas suas chefias e direções. O IEC/CENP somos nós, os trabalhadores que movem as engrenagens que fazem essas instituições existirem e funcionarem. E chegou a hora de nós também opinarmos e decidirmos nossos próprios rumos.
O antigo Diretor comunicou a todos nós que vinha sendo discutido no Conselho Técnico Científico do IEC nosso regimento interno sem que a comunidade fosse ouvida ou tivesse possibilidade de opinar. Este é um exemplo da postura absurda que não podemos e não iremos mais tolerar.
O regimento interno é a oportunidade que temos para discutir temas que interferem diretamente na vida de todos os trabalhadores de nossas instituições. Ele poderá definir o processo de eleição das chefias e direções e abre a possibilidade de instituirmos uma democracia real em nossas instituições, onde os trabalhadores elegeram seus superiores. Ele poderá instituir uma comissão de trabalhadores para apurar as recorrentes denúncias de assedio moral que nos assolam. E poderá também, entre outras coisas, regulamentar o processo de permutas, transferências, cessões e afastamentos hoje regidos por critérios arbitrários segundo os ditames das chefias.
A greve nos ensinou o poder da organização e da luta, um poder que não sabíamos possuir, mas que agora conhecemos. E por isso nossa organização e luta precisa seguir para muito além do momento da greve. Precisamos seguir organizando e mobilizando nossa categoria. Neste dia do servidor, nós, trabalhadores organizados do IEC/CENP estamos lançando nosso movimento: IECENP pra Lutar!
Um movimento amplo e democrático aberto a todo e qualquer colega disposto a lutar em defesa dos servidores e do serviço público contra os desmandos de governos, chefias e direções. E convidamos a todos os interessados em lutar pela democratização das discussões de nosso Regimento a construírem conosco essa luta, exigindo da nova direção do IEC um debate amplo e democrático com a participação de toda a comunidade para fazer valer nossos anseios.

QUEM LUTA CONQUISTA, QUEM PARTICIPA DECIDE!

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