Trabalhadoras e
trabalhadores do IEC e do CENP, organizados no coletivo IECENP PRA LUTAR,
promovem programação alusiva ao 8 de março com o apoio da Direção do Instituto
Evandro Chagas e do Sintsep-PA.
A programação será realizada
no Auditório do Bloco Central, na próxima terça-feira (08 de março), a partir das 14h, e contará
com a exibição do curta "Acorda, Raimundo, acorda!", roda de
conversa, coffee break e sorteio de brindes. Serão bem vindas todas as
trabalhadoras do Instituto Evandro Chagas e do Centro Nacional de Primatas,
sejam elas servidoras, terceirizadas, estagiárias ou bolsistas.
A comemoração do 8 de março
está mundialmente vinculada às reivindicações femininas por melhores condições
de trabalho, por uma vida mais digna e sociedades mais justas e igualitárias.
Essa luta é antiga e contou com a força de inúmeras mulheres que nos vários
momentos da história da humanidade resistiram ao machismo e a exploração.
Afinal, como bem disse Emma Watson em seu famoso discurso à ONU:
“Feminismo é uma outra palavra para igualdade”, uma igualdade que para nós,
trabalhadoras da saúde pública, deve ir muito além da mera igualdade entre os
gêneros proposta pela proeminente atriz britânica, rompendo, também, com a
lógica de exploração que nos é imposta.
ORIGENS HISTÓRICAS DO 8 DE MARÇO...
Em 1910, durante uma
conferência internacional de mulheres trabalhadoras, na Dinamarca, uma resolução
para a criação de uma data anual para a celebração dos direitos da mulher foi
aprovada por mais de cem representantes de 17 países. O objetivo era honrar as
lutas femininas e, assim, buscar conquistas como o direito ao voto, uma bandeira da luta
pela igualdade entre mulheres e homens em diversas nações.
Já no Brasil, a luta
feminina só ganhou força com o movimento das sufragistas, nas décadas de 1920 e
30, que conquistou para as brasileiras o direito ao voto em 1932. Mas foi
apenas em 1945 que a ONU assinaria o primeiro acordo internacional que afirmava os princípios de igualdade jurídica entre homens e mulheres. E só em 1977 o
"8 de março" foi reconhecido oficialmente pelo calendário da
Organização das Nações Unidas, tornando-se uma data universalmente celebrada.
A LUTA CONTRA A VIOLÊNCIA MACHISTA...
Embora a conquista do
direito ao voto tenha representado um avanço inquestionável da luta feminista
pela igualdade, o Código Penal brasileiro de 1940,
ainda em vigor, traz a figura da "legítima defesa da honra" em seu artigo 25, um argumento
jurídico que, por décadas, tem proporcionado uma saída fácil para que homens
que matam mulheres - esposa, namorada, amante, ex-esposa, ex-namorada ou
ex-amante - se livrem da cadeia.
Infelizmente, mesmo a famosa
Lei Maria da Penha, que entrou em vigor em 2006, não conseguiu impedir o
aumento da violência contra mulheres. Segundo o estudo “Violência contra a
mulher: feminicídios no Brasil”, divulgado em setembro de 2013, pelo Instituto
de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a lei não teve influência capaz de
reduzir o número de mortes, pois as taxas permaneceram estáveis antes e depois
da vigência da nova legislação.
TRABALHO E GÊNERO...
Em relação à inserção das
mulheres no mercado de trabalho e a igualdade de direitos entre trabalhadores e
trabalhadoras, outra bandeira histórica do movimento feminista, o relatório
“Progresso das Mulheres no Mundo 2015-2016: Transformar as economias para
realizar os direitos” (divulgado em 2015 pela ONU), mostra que em todo o mundo, em média, os salários das mulheres ainda são
24% inferiores aos dos homens na mesma função.
O referido estudo revela,
ainda, que, em todo o mundo, as mulheres fazem quase duas vezes e meia mais
trabalho doméstico e de cuidados de outras pessoas não remunerados do que os
homens.
No Brasil, segundo dados da
pesquisa “Estatísticas de Gênero” (divulgada em 2014 pelo IBGE), as mulheres
recebem 70% dos salários pagos aos homens, são a maioria entre os trabalhadores
do mercado informal e/ou precarizado, são responsáveis por 38,7% dos lares
brasileiros e, de maneira geral, verificou-se que quanto mais baixo é o
rendimento da família, maior a contribuição percentual da mulher para a renda
familiar.
Em relação ao trabalho
doméstico no Brasil, a pesquisa “Uma análise das condições de vida da população
brasileira de 2012”, também divulgada pelo IBGE, nos mostra que as mulheres
dedicam, em média, 27,7 horas por semana para afazeres domésticos, enquanto os
homens dedicam 11,2 horas semanais.
DILMA, UMA MULHER QUE ATACA AS TRABALHADORAS,
INCLUSIVE AS DO SERVIÇO PÚBLICO...
Essa constatação vai na
contramão da nova proposta de Reforma da Previdência discutida pelo governo
Dilma/PT/PMDB, que busca igualar a idade mínima e o tempo de contribuição entre
homens e mulheres ignorando as jornadas de trabalho extras e não remuneradas
que as mulheres trabalhadoras enfrentam ao retornar aos seus lares após um dia
exaustivo de trabalho. Tudo isso, sem tocarmos no
fato de que as mulheres são, ainda, os alvos preferenciais do assédio moral e
sexual.
No funcionalismo público
federal, ironicamente, os ataques partem da primeira mulher presidente da
história do país, uma mulher empoderada que ataca, sobretudo, as mulheres
trabalhadoras (estatuárias, celetistas e terceirizadas), quando criminaliza os
movimentos sociais, restringe nosso direito de greve, corta e arrocha nossos
salários e retira nossos direitos, como quando instituiu a Funpresp,
desmontando a previdência pública e ameaçando o direito à aposentadoria de
milhares de trabalhadoras.
POR UM 8 DE MARÇO DE LUTA!
É necessário resgatar o 8 de
março como momento de conscientização e mobilização para a defesa e conquista
de direitos, que sirva também para discutir as opressões e violências morais,
físicas, sexuais, econômicas e trabalhistas ainda sofridas pelas mulheres,
visando impedir que retrocessos ameacem o que já foi conquistado pelas gerações
de mulheres que lutaram e continuam lutando pelo igualdade entre os gêneros,
uma igualdade real, que reconheça e corrija a desigualdade de condições entre
mulheres e homens, diante do machismo ainda vigente e institucionalizado em
nossa sociedade.